Ontem (21) foi disponibilizada uma nova entrevista de AURORA, dessa vez para o blog A Bit of Pop Music. confira:

A cantora-compositora norueguesa Aurora Aksnes escreve músicas e poemas desde que tinha 9 anos e foi a sua mãe quem a encorajou a ir aos palcos. Alguns anos depois, ela impressiona pessoas em toda a internet com os singles ‘Runway’ e ‘Running With The Wolves’. Seu álbum de estreia será lançado em março de 2016 e “A Bit of Pop Music” sentou-se com Aurora para conversar sobre sua história até agora.
 
Você sempre quis ser uma cantora, até quando era criança?

 

Na verdade, não, mas eu escrevo poemas e músicas desde que eu tinha 9 anos. Eu, na verdade, não sentia vontade de eu mesma cantá-las e eu nunca sonhei sobre estar em palcos. Eu pensei que se eu tivesse sorte, eu poderia escrever músicas para outros artistas, mas meu objetivo nunca vou tornar-me uma artista.

 
No final, o que a convenceu a dar uma chance a isso?

Eu fiz essa pequena apresentação na minha aula de música para a minha professora e ela disse que eu deveria gravar uma música, então eu gravei uma para a minha mãe e meu pai como um presente de Natal. Então meu amigo a colocou na internet sem me pedir permissão e as pessoas começaram a compartilhar e eu recebi vários comentários positivos. Logos depois, um agente entrou em contato comigo e, no começo, eu não acreditei muito. Então, minha mãe entrou no meu quarto e ela me disse que ela sentia diversas emoções enquanto me ouvia cantar e que isso a ajudava, como se ela estivesse fazendo uma terapia. Ela disse que seria egoísta da minha parte se eu guardasse isso apenas para mim e eu pensei que se eu podia ajudar pessoas a sentirem coisas, então eu deveria tentar fazer isso.

Você ainda está trabalhando em seu álbum de estreia? Como ele vai soar?

Está quase tudo pronto, mas ele teve de ser um pouco atrasado. Ele será lançado em março de 2016. Ele soa ainda mais como eu, já que é bastante emocional. É, na maioria das vezes, um pouco triste, mas há também alguns momentos de raiva e de felicidade. Eu diria que quase soa um pouco esquizofrênico, já que cada faixa é extremamente diferente da outra. Algumas foram escritas quando eu tinha 10 ou 11 anos e outras são mais recentes, então você ouvirá minha jornada completa até agora. Eu me aproximei de um som mais acústico e eu até coloquei amostras do som do vento, das árvores e da chuva, por exemplo.

As músicas sinistras que foram lançadas até agora foram escritas com base em experiências pessoais?

Eu, na maioria das vezes, escrevo sobre outras pessoas e as experiências delas. Eu sou muito sensitiva e eu penso muito. Se eu sei que algo ruim está acontecendo com um amigo ou com pessoas de outro país, eu não consigo parar de pensar sobre o sofrimento delas e isso me ajuda a escrever sobre essas coisas. É como se eu transformasse as emoções de outras pessoas nas minhas, mas elas não são minhas próprias experiências. Eu gosto de observar e tenho esperança de que isso faça com que os outros sintam-se compreendidos. Para mim, as histórias são as coisas mais importantes. Eu quero que minhas músicas tenham algum significado. Eu espero que façam as pessoas sentirem algo, porque nós estamos, muitas vezes, com medo de chorar. Todos sempre dizem que estão bem, mas você não está sempre bem. Música o ajuda a entrar em contato com as suas próprias emoções.

Qual é a idea por trás da música e do clipe ‘Running With The Wolves’?

Eu sou do interior e eu cresci ao ar livre, nas florestas. Na cidade, eu vi quantas pessoas estão constantemente olhando para os seus telefones. Nós, dificilmente, sabemos como o tempo está, porque nós não estamos prestando atenção ao mundo exterior. É um pouco triste que nós estamos tão conectados com o material e com coisas eletrônicas e eu penso que muitos de nós deveríamos ser mais apegados ao silêncio e a linda natureza que está ao nosso redor. Com ‘Running With The Wolves’ eu quis encorajar as pessoas a seguirem seus instintos, ao invés de se preocuparem com todas as coisas que elas precisam ou com o que outras pessoas pensam ao seu respeito. Apenas seja livre!

Você se sente responsável por ser um exemplo para as outras pessoas?

Sim, eu me sinto. Eu recebo mensagens de meninas que me falam que eu sou a sua heroína. Se há pessoas que querem ser como eu, então eu quero ser uma boa pessoa para elas, para que elas se tornem boas pessoas também. Eu espero afetá-las de uma maneira positiva e eu conscientemente penso sobre isso.

Pessoas geralmente comparam suas músicas à pequenos contos de fadas. Se alguém fosse escrever um sobre a sua vida, como você gostaria que ele terminasse?

Meu conto de fadas termina comigo sendo feliz e livre, ainda fazendo música na minha casa, vivendo completamente sozinha no topo de uma montanha, sem nenhum vizinho, bebendo chá enquanto eu pinto.

Matéria na íntegra (em inglês) aqui.
Tradução: Mariana Dias (Equipe PABR).