Uma das mais conceituadas revistas neozelandesas, Coup De Main, publicou no último dia 12 (de Abril de 2016) a entrevista que realizou por telefone com AURORA. Nessa entrevista AURORA fala sobre alguns trechos de músicas que fazem parte do “All My Demons Greeting Me As A Friend”, conta de onde surgiu a inspiração para a capa do álbum, sobre o processo de composição e mais. Confira a tradução:

ENTREVISTA: AURORA sobre seu álbum de estreia, “All My Demons Greeting Me As A Friend”.


Um álbum de estreia é sempre um marco importante na carreira de qualquer artista, não mais do que AURORA, em que o álbum “All My Demons Greeting Me As A Friend” é uma verdadeira jornada em sua mente e alma.

Nascida naturalmente uma compositora, Aurora nasceu numa cidade no interior da Noruega, e foi de aprender musica clássica para compor seu próprio material numa questão de anos. Ela escreveu a música “Runaway” quando tinha apenas 12 anos e suas habilidades de escrita apenas cresceram desde então. O álbum evidencia suas inteligentes observações líricas sobre a vida, fazendo notas que são universalmente compreensíveis.

Nós falamos recentemente com Aurora pelo telefone sobre o álbum, experimentar tristeza, seu amor pela natureza e mais…

COUP DE MAIN: “I Went Too Far” é uma de minhas músicas preferidas do álbum, o sentimento realmente aparece verdadeiro para todo mundo, eu sinto. Eu amo o verso “I tried to reach for another soul/ So I can feel whole” (Eu tentei alcançar outra alma/ Então eu posso me sentir inteira). Você acha que é perigoso se depender de alguém inteiramente para a felicidade de si mesmo?

AURORA: Eu definitivamente acho que sim. Eu acho que uma das coisas mais a se fazer na vida é saber o quando valioso você é em você mesmo e quanto poder você tem de fazer a si mesmo feliz. É muito importante aprender a nadar e não apenas para ser segurado por alguém, você tem nais probabilidade de sobreviver nesse grande oceano que chamamos de vida (risos).

CDM: Foi esse verso de “Home” “Wrapped insed a cocoon made of flesh and bones/ Doesn’t really matter where you come from” (Enrolada dentro desse casulo feito de carne e osso/ Não importa de onde veio) que inspirou a capa do álbum? Foi esse verso que ficou com você para transferir para a capa do seu corpo de trabalho?

AURORA: Foi sim, você foi bem inteligente, na verdade. Esse verso inspirou mesmo a capa do álbum bastante. Eu acho que quando nascemos, nascemos nesse mundo e nos tornamos humanos e aprendemos como trabalhar nessa sociedade, o que é um tanto complicado esses dias. É quase como se quando estamos vivos, é como se estivéssemos num casulo. Além disso, haverá mais — estou apenas imaginando a vida sendo como um casulo, você trabalha pra se tornar você mesmo mais e mais cada dia, o mais que se torna, porque é isso que envelhecer é, é se tornar mais a pessoa que você deve ser. Você aprende e você cresce, e essa é uma bela imagem.

CDM: Em “Runaway” você canta “I’ve been sorrow on the farest place on my shelf” (Eu estive colocando sofrimento no lugar mais longe na minha estante). Você acha que é parte da natureza humana naturalmente esconder ou evitar confronto com a tristeza?

AURORA: Oh, sim, com certeza. É muito mais fácil virar o rosto, como fazemos com muitas coisas hoje que são desconfortáveis e tristes que acontecem no mundo, nós tendemos a apenas fingir que não está lá, ao invés de perceber que podemos nos ajudar e ajudar o mundo ao reconhecer que isso é um problema. É muito importante ser honesto com você mesmo e eu acho que é bem saudável chorar. Todas as vezes que estou triste eu apenas penso “ok, então agora eu estou triste. Um dia isso vai embora. Não ficarei triste pra sempre. Está tudo bem em estar triste agora”. Eu tendo chorar e sentir, porque quanto mais você toca suas feridas, mais você se acostuma com a sensação, isso se torna menos assustador. E deve ser horrível estar assustado por algo tão natural quanto tristeza, é importante abraçar todos os lados da vida.

CDM: É uma emoção tão universal, todo mundo fica triste. É louco pensar que você pode tentar evitar isso.

AURORA: Oh sim, é louco. Mas nós somos criaturas estanhas, não somos?

CDM: O álbum lida com muitas emoções, relacionado com o escapismo, santuário interior, depressão e mais. O que você acha que é a emoção humana mais forte?

AURORA: Eu acho que o amor. Acho que humanos são naturalmente egoístas de alguma forma, porque temos o instinto de sobreviver e cuidar de nós mesmos. Não é antes de amar alguém que esquecemos esse instinto básico que tivemos por milhares de anos. É estranho como amar alguém pode fazer você querer sacrificar tudo que tem por essa pessoa. Essa é definitivamente uma força na sociedade que nos faz esquecer do egoísmo. É a coisa mais pura no mundo e também é muito poderosa e forte.

CDM: Sua música e imagem tem um forte relacionamento com a natureza. Isso era algo que sempre soube que aconteceria com sua música? O que sobre a natureza você acha que cabe tão bem no seu trabalho?

AURORA: Bem, eu moro na Noruega no interior. Desde a idade de três anos que eu estava sempre ao ar livre, correndo na floresta, deitando na grama. Eu só estive bastante na natureza, estou acostumada a não usar sapatos, a colher mirtilos selvagens e a escalar árvores. Eu apenas amo a natureza, é como um grande playground e cheira bem, cheira a frescor. Todos os insetos minúsculos te fazem sentir tão grande. Também te lembra o quão pequenos somos comparados ao mundo e o universo. Só estar na natureza abre sua mente, porque você não tem todo esse barulho das cidades e a energia de mais ninguém pode te afetar, é só você. Eu não sei, é do realmente mágico, é estar onde devemos estar, porque somos originalmente muito amarrados a natureza. Não podemos sobreviver sem isso, é muito importante para nós.

CDM: Não consigo acreditar que você escreveu “Runaway” quando tinha apenas 12 anos, isso é incrível. Como o seu processo de composição funciona – você costuma começar com a letra e então a transforma em uma melodia ou ao contrário?

AURORA: (risos) Bem, eu acho que o processo é muito diferente todas as vezes. As vezes eu faço essas coisas relaxantes, como dormir ou tomar um banho ou sentar num carro, é sempre daí que as ideias vêm. Talvez isso pode ser a ideia de uma letra ou só uma linha melódica, ou uma cena, e eu penso “oh, eu tenho que escrever uma música sobre isso ou aquilo”. É muito diferente toda vez, sempre é originado dessa pequena ideia que vem do nada. Se eu tenho um piano próximo eu vou até ele e começo a tocar e fazer uma melodia e aí a letra vem depois. Na maior parte do tempo agora eu estou viajando todos os dias, e não tenho os músculos ou qualquer coisa para carregar um piano comigo, então estou escrevendo as letras primeiro e aí posso adicionar as melodias na próxima vez que tiver um instrumento por perto.

CDM: A produção de “Murder Song” é incrível, e é algo que você está bem envolvida. O que você acha desse processo comparado com a escrita?

AURORA: Eu amo escrever músicas. É muito tranquilizador e é como uma coisa criativa que não pode ser tirada de você. É o sentimento mais maravilhoso, é como ter um filho, mas um pouco menos doloroso (risos), felizmente para os compositores. É um sentimento tão mágico, escrever uma música. Você fica tão satisfeito em seu cérebro e em seu coração, e em seus ouvidos. E aí você vai para o estúdio, para transformar a criança em uma pessoa real com um corpo, e um som, e uma aparência, com uma personalidade. Eu sinto como se estivesse indo a loucura (no estúdio) porque você tem todas essas ideias e você tem que tentar encaixá-las em uma música, é quase estressante, porque você tem que passar todas elas para o papel antes de esquecer. Amo estar no estúdio, parece fogos de artifício. Mas é muito estranho estar no estúdio quando se tem muitas pessoas esperando canções, esperando que estas sejam algo que muitas pessoas vão gostar ou que vão encaixar nas rádios, isso é uma coisa muito estranha, ter que adaptar ao que as pessoas pensam. Mas eu penso que quanto mais você cresce e mais velho você fica, mais sábio e forte você fica… um dia vou fazer só o que quero. Acho que sempre vou ouvir as pessoas, porque elas tem muitas coisas maravilhosas para dizer, e ideias maravilhosas e capacidades que são ótimas, mas quando eu realmente me ouço, o que farei mais e mais, fica mágico estar num estúdio e produzir, é realmente uma coisa legal. Eu amo isso.

CDM: Sua música tem umas das harmonias mais interessantes que já ouvi na música pop. Quando você coloca os vocais, como vai para criar harmonias que são interessantes para se ouvir?

AURORA: Oh, bem, não tenho ideia! Faço isso bem naturalmente. Quando ouço uma música no rádio eu sempre tento adicionar uma melodia, e uma harmonia ou alguma coisa. Não tenho de onde isso vem, parece que eu já posso ouvir todas as harmonias, só tenho que encontrá-las. Elas estão lá, e elas precisam estar lá, é muito estranho. É instinto, quase – obviamente eu ouço que tem que ter cinco harmonias, só tenho que encontrá-las. Eu amo harmonias, eu amo usar a voz, é muito bom.

CDM: Você fez um belo cover de “Life On Mars” do David Bowie, que foi usado em um episódio de ‘Girls’. Você fez ficar bem único. Você sente uma pressão por fazer um cover de uma música tão icônica?

AURORA: Bem, é sempre um pouco assustador fazer um cover, porque os fãs realmente leais não gostam de suas músicas preferidas sendo tocadas por outros artistas, especialmente se a canção toca nas rádios e eles tem que ouvir o tempo todo. Eu sou desse jeito também, se alguém faz cover de Björk ou Bob Dylan eu sempre prefiro o original. Eu gosto mesmo de “Life On Mars” e eu amo David Bowie e sua arte. Eu só gosto da experiência de cantar essa música, estive fazendo ao vivo por quase dois anos, é uma parte do meu setlist por um bom tempo – e só a experiência por si mesma em fazer a música é tão incrível, que se todo mundo odiasse eu ia continuar fazendo. É bom. É uma música tão boa, é muito satisfatório de cantar.

CDM: Finalmente, quando podemos esperar para te ver fazendo um show na Nova Zelândia?

AURORA: Eu definitivamente vou, um dia! Eu realmente quero ir, e eu quero ver todos os lugares onde foram filmadas as cenas de ‘Senhor dos Anéis‘. Mas eu espero, eu acho que ouvi falar de ir aí durante o inverno ou outono desse ano. E se não esse ano, então será pela primavera do ano que vem. Seria tão legal!

O debut álbum de AURORA “All My Demons Greeting Me As A Friend” está disponível agora – Clique AQUI para fazer o dowload via iTunes.
Assista ao clipe de “Conqueror” abaixo…

Confira a matéria na íntegra clicando aqui.

Tradução por Jéssica Cardoso (Equipe PABR)