A mais nova estrela da música escandinava está achando a vida “muito estranha” no momento. Depois do seu álbum de estreia ser o número um na Noruega, com 20 anos Aurora Aksnes admite “é muito impressionante ter fãs”.

“Parece que minha música tem uma missão maior do que eu tenho, o que é calmante, mas também muito estranho, porque as pessoas veem mais em mim do que eu vejo, que pode ser aterrorizante,” ela diz. “Tipo, elas me chamam de anjo, ou [me dizem] que eu os salvei, ou que eu sei como se sentem, ou que eu escrevo sobre elas, ou que falo por elas. É muito estranho. Porque eu sou apenas eu. E eu não sou grande desse jeito, eu sou só pequena. Nessa bola enorme de pessoas, eu sou só um grão de areia na praia.”

A caminho da Austrália para uma série de shows em janeiro e fevereiro, Aksnes fala com uma voz alta, infantil, como um canto de um pássaro. E, por causa de seu começo prodígio – ela começou a escrever poesias com nove anos e músicas com 11; seu primeiro single, Puppet, foi lançado quando tinha 16 anos – sua juventude é uma preocupação com coberturas de imprensa.

Mas quando Aksnes fala sobre suas músicas, ela entoa um tipo de drama ancião, de música como um fenômeno natural. Como uma compositora, ela sente como se as composições “fluem por” dela, vindo de um lugar fora dela.

“Algumas das minhas músicas são sobre mim, mas a maioria delas são sobre o mundo, e parecem que elas veem do mundo… Música só é possuída por todos nós, e tem sido parte da sociedade humana por tanto tempo: nós a usamos para celebrar, ou para ficarmos tristes. É o nosso modo, como humanos, de lidar com a vida. Música é essa coisa divina, o  mais próximo que podemos chegar de algo divino. É como esse instinto que todos nós temos, e que alguns de nós achou um jeito de ouvir essa música, e escrevê-la, e dividi-la com as pessoas.”

O primeiro álbum de Aksnes, All My Demons Greeting Me as a Friend, foi lançado em março. Depois de chegar ao primeiro lugar na Noruega, chegou aos Top 30 na Grã-bretanha, impulsionado por uma série de singles fortes. Um deles, Runaway, abre o álbum com a frase “I was listening to the ocean” (Eu estava ouvindo o oceano), definindo o tom para um conjunto (de músicas) repleto de imagens sobre o mundo natural.

“Eu escrevo sobre a água o tempo todo,” diz Aksnes. “Porque, para mim, parece que é uma coisa realmente muito misteriosa, algo maior que nós. Eu gosto de viver perto do oceano, porque parece que você pode sempre escapar.”

Aksnes vive na costa oeste da Noruega. Seu nome é dado por causa da Aurora Boreal e parece ser quase conectada misticamente com a paisagem. “Na Noruega, no inverno, quando você está do lado de fora e a neve está caindo, é como a coisa mais próxima do tempo parado que podemos conseguir,” ela fica entusiasmada. “É muito mágico.”

Enquanto ela tem um estúdio na cosmopolita Bergen, ela gosta de sua “solitária” casa no interior. “Eu não tenho muitos vizinhos,” ela diz. “É cercada por duas montanhas, e é num fiorde. E o nome do fiorde [traduzido] é Fiord of Light (Fiorde da Luz), o que soa quase como fantasia quando posto em inglês. É quase como Narnia, na verdade. Tem uma vista enorme para o oceano, montanhas grandes do outro lado do fiorde. É um lugar realmente muito quieto, e eu acho silêncio uma coisa muito difícil de encontrar atualmente. É uma coisa muito preciosa.”

As cidades, para Aksnes, são lugares barulhentos, cheia de pessoas esperando – por café, pelo ônibus, o telefone, por sonhos virarem realidade. “Onde eu vivo, não tem carros e ônibus, não é um lugar muito conectado com a vida moderna da mesma maneira,” ela diz. “Claro que temos eletricidade e a internet, mas não é só isso. É a habilidade de achar silêncio, de tê-lo de um jeito especial, onde você não está esperando por ele. Eu não acho que você percebe que o está perdendo até você estar lá. É tão quieto que não pode nem ser ouvido, tem que ser sentido.”

Cresceu no sudoeste da Noruega, Aksnes estava acostumada em sentir a quietude. Sua família raramente viajava e quando ela começou a sair em tour em 2015, ela foi jogada num mundo completamente novo. “É muito estranho ir para cidades como Londres e Nova Iorque,” ela diz. “As pessoas andam tão depressa, como se estivessem com pressa o tempo todo. E você não diz ‘oi’ para todos que vê, e você não sorri para todos que vê, porque tem apenas tanta gente. O que é muito estranho. Em Bergen, as pessoas só andam rápido quando o tempo está muito ruim.”

Assim como se acostumar com o ritmo frenético das cidades, Aksnes também teve que chegar a um acordo com estar nos palcos. Quando se apresenta, se sente vulnerável, impressionada, se afogando em sentimentos; seus primeiros shows ela imaginava “por que eu estou fazendo isso comigo?”

Atualmente, ela obtém energia de seu público.

“É como nadar,” ela conta. “Quando você nada muito, você aprende que o oceano não é perigoso, porque você pode flutuar sobre a água. Cada vez que você vai pro palco, e você não morre, você começa a aprender que talvez você não vá morrer na próxima vez também. E é assim que parece, agora: eu não estou mais com medo. Eu estou apenas flutuando.”

Aurora irá tocar no Metro Theatre, Sydney, em 25 de janeiro, no Melbourne Recital Centre em 31 de janeiro e faz uma tour nacional com o festival Laneway.

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Tradução: Marina Vinhas – EQUIPE PABR