Essa semana foi liberada a entrevista que AURORA concedeu algumas semanas atrás à conceituada revista Interview. A entrevista foi publicada no site da revista e você pode conferir ela traduzida abaixo:


AURORA EM TØNSBERG, NORUEGA NO FESTIVAL SLOTTSFJELL, JULHO DE 2017.

FOTO: VICTORIA STEVENS

NOME COMPLETO: Aurora Aksnes

IDADE: 21

CIDADE NATAL: Os, Noruega. Eu vou para casa bastante porque é muito bom e meus pais, isso os deixa bem felizes, posso dizer, quando vou para casa visitá-los.

LOCALIZAÇÃO: Bergen, Noruega. Acabei de comprar um apartamento, é bem legal, e me mudei. Estou esperando minha poltrona. A casa dos meus pais é quase uma hora longe de Bergen e eu morava na floresta. Cresci meio longe de tudo e agora é tão bom porque eu moro no meio da cidade, perto do maior parque, claro, então eu tenho as árvores comigo. Mas você pode andar por dois minutos e comprar comida! (risos) Não tenho que planejar tudo; eu tinha que pedalar por 40 minutos onde eu morava se quisesse comprar leite para fazer algumas panquecas ou algo assim.

UMA INTRODUÇÃO: Você pode já conhecer AURORA pelo seu álbum de estreia de 2016 “All My Demons Greeting Me As A Friend” (Petroleum Records). Em suma, ela é uma poética autora de art-pop, uma performer deslumbrante e uma artista curiosa. Ela está escrevendo seu segundo álbum atualmente.

SONHAR COM OLHOS ABERTOS: Amo todo o tipo de natureza. Acho que todo mundo ama natureza, mas alguns de nós não experimentaram no tempo certo de nossas vidas, onde pode apreciar de verdade, o qual é muito jovem ou um pouco mais velho. Tem uma fase em nossas vidas em que natureza não importa tanto porque temos tanto dentro de nós. Eu caço todo tipo de coisa e escapo de todo tipo de coisa quando vou para as montanhas ou floresta ou mar. Estes são três lugares muito importantes onde eu busco algo mais simples. É uma forma mais fácil de felicidade, acho, quando você alcança o topo de uma montanha, você não fez realmente nada, só andou em um cenário bonito. É importante ter um lugar seguro para perseguir, ou o oceano, as montanhas ou a floresta.

Gostaria de dizer que eu faço música na montanha na minha cabeça, mas na verdade eu não faço porque esse é o lugar onde eu não penso em nada. Eu só existo e não exijo nada de mim mesma, nem mesmo ideias, nem mesmo desejos, nem nada. Eu só sou e é um sentimento tão bom. Estou meio acordada, mas também sonhando. Esquecemos de sonhar quando estamos acordados. A maioria de nós só sonha quando dorme e eu acho que é algo perigoso, mas você sonha quando está acordado e está em montanhas e na floresta. Isso se manifesta depois na música e quando volto para casa aí eu fico inspirada, é uma reação que vem um pouco mais tarde, mas não no momento, porque é uma coisa sagrada.

RECARREGAR: Ano passado nós fizemos tantos shows. Tocamos aqui [no Slottsfjell] a dois anos atrás, então é bom estar de volta e é muito legal esse ano porque temos mais tempo. Acho que é um jeito saudável de se apresentar quando tem menos performances, não todo dia como ano passado, porque você pode cuidar mais de cada apresentação, o que é bem importante. Se deve cuidar bastante de todo show, porque são pessoas diferentes e uma plateia diferente e tem que ser o melhor show de todos todas as vezes.

UMA COLEÇÃO DE INSETOS CRESCENTE: Eu tenho um gafanhoto e é bem raro porque eu não vejo muito eles em casa. Mas encontrei um, já estava morto, como eles tem que estar para eu pegá-los. E eu tenho um monte de abelhões, mas tem que se checar se estão acordados primeiro. Eu boto um pouco de água com açúcar, porque mel é muito grosso para eles comerem. Algumas vezes as abelhas desmaiam porquê não têm comida suficiente no sistema, então é bem importante primeiro coloco um pouco de água com açúcar perto delas e aí esperar algumas horas e ver se acordam e comem. Se não, então estão mortas e pode botar numa garrafa de vidro.

FAMÍLIA, CIDRA E ESCUTAR: Minhas irmãs mais velhas, eu tenho duas e elas são muito diferentes. Miranda, ela é maquiadora e está aqui hoje em algum lugar, ela realmente ama música, ouve o tempo todo. O jeito que ela escuta música é diferente da minha outra irmã, Viktoria, que se tem algo que ela gosta, aí ela chora ou dança, ela sente. Eu amo tocar para ambas, mas eu sei que elas também me amam muito e tudo o que eu faço. (risos) É um bom aumento de confiança quando eu toco música para elas. É sempre a minha família para quem eu toco primeiro. Temos vinho tinto e uma cidra de maçã, uma cidra de maçã norueguesa é muito bom, é um pouco mais forte que as outras, como um vinho, e não é doce demais. É só hmmm. Queria poder te trazer um pouco, é brilhante, te deixa bem calmo, sem ressaca. Bebemos isso, temos bastante, e aí ouvimos todas as músicas novas que eu fiz e só as sentimos.

A INFLUÊNCIA NÓRDICA: Eu acho que o que é bem comercial na Noruega pode ser bem alternativo nos Estados Unidos, só porque o pop de mais fácil entendimento do mundo vem de lá. Depende do quão fundo você vai na música, se você consegue sentir a diferença entre dream-pop e art-pop então está fundo nisso, mas algumas pessoas são tipo “okay, tem música pop e rock e country” e tudo bem também porque música é só música. Mas meu primeiro álbum é definitivamente um pouco escandinavo, porque tem bastante sintetizador e é frio, mas também quente, e alternativo, mas meio comercial também. Acho que é isso que pop escandinavo é. E também a minha voz, eu sei que é meio afiada, não é muito quente. Fica bem na sua cara, soa tipo como gelo.

O QUE EM SEGUIDA: Meu segundo álbum vai ser um pouco diferente. Eu quero fazer um novo mundo. Parece diferente para cada pessoa, depende de que tipo de olhar você tem. Tenho alguns títulos como “Queendom” (um trocadilho com kingdom, reino, e queen, rainha), sobre todas as pessoas no queendom, “reino”, o que estão fazendo e o que sonham. É um novo mundo que estou ansiosa para compartilhar.

INSPIRAÇÃO ATUAL: As coisas mais inspiradoras agora são olhos e rosas, é o que foco principalmente nesses dias. Descobri uma ideia chamada opia, que é a estranha sensação de olhar nos olhos de alguém, você sente que está espiando através de um buraco de fechadura que talvez se abra e se torne um grande mundo, sem saber se está olhando dentro de um mundo ou para fora dele. É como se estivesse olhando em um buraco de fechadura e não consegue entender de que lado da porta está. Quero escrever uma música sobre opia e será só sobre essa coisa, olhar em um buraco de fechadura e não saber se indo dentro de algo ou fora.

ALGUMAS PALAVRAS FINAIS: É muito divertido produzir músicas. É a parte mais divertida, porque você pode mudar o jeito que as pessoas ouvem isso, pode fazê-las rir para uma música muito triste, fazê-las dançar para a música mais triste, se só colocar os sons certos ali, ou ao contrário. É tão fascinante que uma canção pode ser triste, mas poder soar leve e feliz e o mais fundo que vai nisso mais você chora. (risos)

Matéria original AQUI.

Tradução: Jéssica Cardoso (Equipe PABR)