Na última semana, AURORA se apresentou no Grape Festival, na Eslováquia, onde foi surpreendida com o carinho e animação do público. Na passagem pelo país, AURORA concedeu uma entrevista ao jornal impresso SME.

Confira agora a entrevista traduzida em português:


pic by: toudy from Warriors & Weirdos forum

Como a menina da pequena cidade norueguesa entra em palcos nas maiores cidades do mundo?

“É estranho, não é? Quando eu era criança, nunca quis ser uma artista. Eu gostava de escrever letras e pensei que todos faziam isso. Era parte da vida, sempre que você está triste ou feliz, você apenas escreve sobre isso. Eu não queria viver disso, mas eu gosto disso hoje. Eu acho que tenho uma voz para isso e as pessoas estão dispostas a ouvir. Estou aprendendo muito enquanto estou fazendo isso. É bonito estar conectado com pessoas dessa maneira.”

Você estava escrevendo músicas em inglês desde o início?

“Sim, eu li muitos livros em inglês e a maioria dos artistas que eu escutei eram da Inglaterra. O inglês tornou-se o idioma da minha poesia. É uma linguagem muito suave e manejável cheia de belas palavras. Até mesmo agora, que comecei a aprender novos idiomas, estou descobrindo que alguns deles têm palavras ainda mais inspiradoras. Também é bom manter distância porque, então, posso sentir-me como outra pessoa. Sei que seria de partir o coração de cantar algumas das minhas músicas no norueguês. Eu sentiria isso demais, eu acho.”

Foi difícil para você entrar no palco na frente da grande audiência?

“No começo, na verdade não foi fácil. Eu estava absolutamente aterrorizada antes de realizar grandes shows e ainda fico nervosa. Não acho que isso vai mudar. Mas eu sei que as pessoas são muito agradáveis quando vão ao meu show e dão muita energia positiva de volta para mim. As pessoas não nascem no palco, um dia todos devem aprender a falar na frente da classe cheia de pessoas. Hoje sinto que posso cantar na frente de 20 mil pessoas, mas ao mesmo tempo eu posso me sentir desconfortável ao encontrar apenas uma pessoa.”

Você começou a cantar em uma idade muito jovem. Como isso afetou sua juventude?

“Eu comecei a cantar e escrever músicas quando eu tinha nove anos. Mas eu absolutamente odiava minha voz naquela época. Parecia tão diferente das vozes de músicos que eu amava.”

Então, qual foi sua motivação, senão a sua voz? O que a fez continuar?

“Eu tenho apenas uma resposta chata – tudo. Da natureza, onde não sou ninguém, até os meus fãs. O comportamento das pessoas é muito inspirador. Todos nós somos tão imprevisíveis, estamos rindo mesmo quando não estamos felizes. Estamos agindo mesmo quando nós sabemos que é estranho. Penso que é difícil ser um ser humano.”

A natureza tem um lugar especial na sua música. Você vê isso como seu refúgio?

“A natureza é como as pessoas. Elas também são inspiradoras, mas também muito estranhas. Às vezes, fazemos escolhas estranhas. O que eu gosto da natureza é que eu vejo ela como uma mãe de todos nós. Ela traz vida. É perigosa e segura ao mesmo tempo e isso me inspira. É como estar no útero de uma mãe calma, onde nada irrita você. E eu tenho os mesmos sentimentos quando estou em algum lugar na floresta. Isso afeta minha música demais.”

A música e seu negócio nestes dias está cheio de digitalização e redes sociais. Como você lida com isso? Você parou o Snapchat, por exemplo.

“Se eu não fosse uma artista, provavelmente não usaria nenhuma das redes sociais. Mas eu gosto do Instagram porque se trata de imagens e é bom se comunicar visualmente. Mas as redes sociais são um tipo de mundo diferente e eu prefiro viver o nosso. É ótimo ter a chance de conversar com meus fãs e contar algo ao mundo, mas eu prefiro viver na vida normal. Na vida digital, muitas vezes esquecemos que somos pessoas. Estamos agindo de forma estranha, agressiva e anônima.”

No verão, você está viajando de um festival para outro. Você prefere o palco maior ou lugares mais íntimos?

“Eu estou acostumada a locais menores e mais íntimos. Mas eu gosto de mudanças. Adoro o inverno e não gosto de clima quente, mas é bom alternar. É bom fazer mudanças, então eu aprendi a apreciar festivais também. Eu gosto de fazer alguns shows maiores, mas depois disso estou sempre ansiosa por algo menor.”

Que mensagem você quer dar pela sua música?

“Tenho uma impressão de que estou em uma missão e tenho muitas coisas a dizer. Quero lembrar as pessoas que não estamos tão solitárias como pensamos. As pessoas hoje estão sempre em seus telefones e muitas vezes são solitárias, não estão se encontrando com amigos como eu costumava fazer quando criança. As pessoas devem saber e devem ter a oportunidade de descobrir sua missão na sociedade. Eu acho que alguns tons e vibrações positivas podem encorajar as pessoas a pensarem sobre si mesmas. É muito saudável e no final, nos faz felizes. Pode ser alcançado mesmo com músicas tristes. É importante que as pessoas sintam tristeza porque então elas têm menos medo dela. É muito mais fácil ficar triste quando você está apreciando a felicidade. E a música pode explicar até emoções inexplicáveis.”

Tradução: Brenda Dassa – Equipe PABR

Translation from Slovak language to english: toudy – Warriors & Weirdos Forum