Com o lançamento de novo álbum em vista para o segundo semestre desse ano ainda, AURORA tem dado bastante entrevistas. Uma das recentes foi para o blog musical Live in Limbo de Toronto, onde fala um pouco sobre as mudanças do novo álbum, empoderamento, números primos, livros, gravações com a Didá entre outros assuntos. A tradução você pode conferir agora aqui no Portal AURORA Brasil:

Em um café perto do Velvet Underground de Toronto, AURORA olha pela janela e pensa alto:

 “Veja essas pessoas. Onde elas estão indo? Hoje é um dia bom ou um dia ruim? Eu sou tão curiosa sobre o que as pessoas têm em mente.” – Ela fala em tons suaves que te força a ouvir, e uma seriedade calma que transmite sinceridade e interesse genuíno.

No meio da nossa conversa, ela faz uma pausa ao perceber um pequeno inseto no cachecol – uma peça do vestuário esquecido na mesa devido à chegada do clima mais quente de Toronto – e cuidadosamente o leva de volta ao mundo exterior. Está quente lá fora, mas seus fãs, seus Guerreiros e Esquisitos, esperam pacientemente do lado de fora até 3 horas antes das portas abrirem. No começo da tarde ela saiu para cumprimentá-los e trazer água pra eles. O mundo escolheu muitas definições para a cantora-compositora Norueguesa de 21 anos: estranha, excêntrica, inocente. Mas eu acho que, subjacente a tudo isso, é uma curiosidade, admiração e apreciação no mundo.

Você tem um álbum novo que deve sair no outono. Ao discutir seu álbum anterior, ‘All My Demons Greeting Me As A Friend’ você disse que tem quase um lado A, o que a rádio pode querer, e um lado B, o que você sente e ressoa com. Para esse álbum novo existe uma divisão similar, ou agora que você já tem um álbum na conta, ele é todo ‘lado B’?

 “Eu tenho me perguntado isso.  Na verdade, é ambos – é música que te atinge instantaneamente, mas também é muito estranho, muito eu. A coisa toda, as melodias, as letras e especialmente a maneira que foi produzido, são muito AURORA. É porque me conheço mais agora. Claro que os singles estão lá. Mas eles têm que ser como esse. Eu não me importo, porque ainda continua sendo música e não perde a mensagem. Sei que todas essas pessoas na gravadora querem a mesma coisa que eu – eles querem que eu tenha uma carreira longa, e eles querem que eu divulgue minha palavra porque eles sabem que tenho muito a dizer. Logo que terminei meu primeiro álbum, eu sabia o que tinha que melhorar no meu segundo álbum. Foi muito instantâneo. O dia que lancei meu álbum, eu estava pronta. Eu comecei a compor no dia 12 de março, e foi o dia posterior ao lançamento do primeiro.”

Como esse álbum difere do primeiro? 

“O primeiro era muito sobre saudar seus próprios demônios como um amigo e aprendendo tudo sobre essa escuridão e luz. O segundo é muito empoderado.”

Queendom, seu single mais recente, é uma música muito empoderadora. 

Sim, é muito empoderante de algumas maneiras diferentes. Coisas como “eu vou embora se eu não estiver feliz aqui” e “eu vou crescer”. Em uma das canções do álbum, uma pessoa morre – claro, sempre tem alguém que morre em todo álbum – mas a pessoa que morre voltará e terá sua vingança. É um álbum muito empoderante, mas também sentimental às vezes. Esse álbum é sobre como você lidou com você mesmo, você pode se tornar quem você deveria ser e ajudar outras pessoas.”

Você precisa se cuidar primeiro antes de você poder cuidar de outras pessoas.

Você tem que estar! É o propósito da vida ser gentil com você mesma primeiro e então ser gentil com o que você pode ao seu redor. Precisamos lutar agora pelos que não podem lutar por si mesmos: os animais, as crianças, o planeta, as mulheres às vezes, e às vezes os homens. Eu só quero que nós olhemos para tudo que está vivo como uma coisa só.”

Especialmente agora com tudo o que está acontecendo no mundo, precisamos estar atentos.

Na verdade, eu acho que a música mais importante que eu já escrevi está nesse álbum.”

Qual das? Você já tem um título pra ela? 

É a faixa número 8. Em breve, todo mundo vai ficar muito confuso. Mas depois eles vão entender.”

Falando de faixas, você nos disse anteriormente que são 11 faixas no álbum, porque 11 é seu número favorito. Eu amo o motivo pelo qual você disse que é o seu número favorito – porque é o mesmo de cabeça pra baixo, certo?

Sim, e de trás pra frente! Eu também gosto muito do 8, porque se você olhar ele no espelho também é o mesmo não, não importa de que jeito. É tão satisfatório. É também por isso que a música especial é a faixa 8.”

Eu tenho uma fixação estranha com números primos, então eu amo o número 11 também.

Oh, eu também amo números primos! Muitas das minhas BPM’s, as batidas da música, são geralmente um número primo.”

Então existem 11 faixas no álbum novo, e eu ouvi que você sempre traz 11 objetos com você para te lembrar de casa. Você sempre traz os mesmos itens, ou você mistura tudo o tempo todo? 

Às vezes eu misturo tudo. Um dos 11 elementos é sempre um livro que eu possa ler. Então, quando eu acabo com o livro, eu dou pra primeira pessoa que eu vejo.”

Qual foi o último livro que você deu pra alguém? 

Foi ‘Coração de Aço’ de Brandon Sanderson. Eu dei ele para um menino que eu vi no avião quando voei para Nova Iorque alguns dias atrás. Ele tinha uma camiseta laranja e ele estava atrás de mim. Eu perguntei “você gosta de Sci-Fi?” e ele respondeu sim. Eu falei pra ele que ele amaria o livro, e perguntei se ele queria o livro.”

Agora, se for um livro que você não goste, você ainda daria pra alguém?

Eu faço uma lista na frente e escrevo: esses são os livros que eu geralmente gosto. Eu não entendi esse, mas talvez você entenda. Então eu deixo em um café ou algum lugar parecido. É muito divertido.”

No seu último álbum, você fez muito trabalho com sons ocultos. Em uma de suas músicas, você tem o som de você abraçando uma árvore, e eu amo muito aquele sentimento. Nesse álbum, existem outros sons ocultos?

Muitos! Eu tenho essa gravação de mulheres nas ruas do Brasil tocando percussão, e isso está escondido em ‘Queendom’. O álbum está repleto desses sons encontrados, porque é assim que eu gosto de produzir. Quando eu produzo, eu tenho uma longa gravação de muita música aleatória, eu escolho partes, e eu faço um loop.  É muito difícil porque não tem limites – é tão vivo, e tão aleatório, e não faz sentido até que você faça sentido, o que eu gosto.”

(Relembre quando AURORA visitou o Brasil e gravou esse trecho no Pelourinho clicando aqui)

Quando você está cantando músicas que incluem esses sons ao vivo, como eles são traduzidos? Você interpreta eles diferentemente em uma apresentação ao vivo?

A maioria das coisas é interpretada diferentemente porque eu gosto de manter a banda ocupada, e eu gosto quando as músicas soam diferente ao vivo.  Mas para algumas músicas, se eu realmente amo um som, e eu sinto que é importante para o estado de espírito, eu posso tê-los em uma faixa de apoio.”

Uma coisa que muitos de seus fãs apreciam é sua curiosidade sem fim e fornecimento de conhecimento único. Qual é a sua fonte de curiosidade e como você continua aprendendo coisas novas?

Bem, nunca me perguntaram isso antes! Eu amo ler e eu experimentei muitas coisas, boas e ruins, para a minha idade. Eu acho que é principalmente falando com as pessoas. Eu ouço muito as pessoas sábias, as pessoas idosas e se eu conhecer avós, elas sempre têm histórias para contar. Eu conversei com muitos – como vocês os chamam – psiquiatras? A única razão pela qual eu tenho amigos, porque eu era tão estranha na escola, era porque eu estava sempre perguntando “o que está acontecendo” e “por que você se sente assim?”

Você é uma caixa de ressonância. 

Sim, sempre foi minha posição em uma amizade e eu não me importo, eu amo isso.”

Você tem dificuldade em encontrar pessoas interessantes para conversar quando está sempre na estrada?

Às vezes. Acho muitas pessoas desinteressantes, e acho que muitas pessoas também são interessantes. Mas eu odeio conversa fiada, eu não sou boa nisso. Estou melhor agora porque conheci cinco milhões de pessoas nos últimos quatro anos, mas isso realmente me deixa entediada às vezes, especialmente em festas ou se estou em um bar sozinha. Adoro sair sozinha para beber e dançar e detesto quando as pessoas tentam falar comigo! A menos que seja um fã ou algo assim, então é legal.”

Qual foi a última coisa que você consumiu – seja um programa de TV, um filme, uma música, um livro ou qualquer outra coisa que fez você sentir algo forte? 

Na verdade, acho que foi o último livro que eu li, ‘Coração de Aço’ de Brandon Sanderson, o que eu dei para o garoto no avião. Eu acho que não é um spoiler muito grande dizer que alguém morre, porque é um livro muito brutal. Mas uma pessoa morreu, e eu tive que parar de ler por dois dias antes de poder voltar ao livro porque sentia que tinha vivido com essas pessoas por tanto tempo. Foi muito triste, e eu tive que parar. Apesar disso, eu amo o livro.”

É lindo que coisas possam nos fazer sentir assim.

E apenas por um curto período de tempo, porque se você realmente se tocar, você percebe “Eu realmente não tenho nada para ficar triste!” Mas também é bom estar triste.”

Sim, é engraçado. Não é alguém que você realmente conhece, é separado de você e, no entanto, você é superado por essa emoção intensa. Não faz sentido, não é lógico. Mas acontece e você sente isso. O que eu acho lindo. 

Essa é a minha coisa favorita sobre emoções – que elas são tão selvagens e irracionais. De certa forma, agimos da maneira que fazemos por causa de todas essas emoções. É tão lindo, tão frágil.”

É o que nos torna únicos, e você faz um ótimo trabalho de encapsular todas essas emoções, e toda aquela estranheza humana e maravilha em sua música. 

Na verdade, eu tenho que te dizer mais uma coisa, eu sei que eu disse a todos que existem 11 faixas no meu álbum. Mas algo aconteceu. Eu tive um sonho e decidi que tinha que fazer meu plano de maneira diferente. Isso fará muito mais sentido e ainda terá um sentimento yin e yang. Haverá confusão e depois compreensão. Mas você vai ver.”

São 111 músicas agora? 

(Risos). Decidi há alguns dias, na verdade, contei a todos da minha equipe, e eles concordaram. Então vai ser emocionante.”

Tradução por Flávia Giuliana

Para ler a matéria no idioma original, só clicar aqui!

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