“Nenhuma das minhas músicas é sobre mim.”

Em entrevista para o site inglês Independent, AURORA falou sobre influências do novo álbum, Trump, inspirações musicais, relacionamentos e como Queendom” teve inspiração do BrasilAURORA está prestes a lançar seu segundo álbum e sair em turnê mundial a partir de outubro desse ano ainda. Ela já lançou os singles “Queendom”, “Queendom – Versão de Harpa” e “Forgotten Love”, que você pode ouvir em todas plataformas de streaming.

 

Artista norueguesa fala sobre viver nos bosques de Bergen e como temas de sexualidade influenciaram seu novo álbum. Em 2016, AURORA lançou seu álbum de estreia All My Demons Greeting Me As A Friend. Desde então, seus vocais glamourosos, lirismo sombrio e personalidade ensolarada conquistaram uma legião de fãs ao redor do mundo.

Foto por: Rune Vandvik

Após a turnê mundial do álbum ela compartilhou seu documentário, Nothing Is Eternal, que ofereceu insights sobre os arredores da floresta em sua cidade natal, Bergen. AURORA está se preparando para lançar seu segundo álbum. Dois singles, “Queendom” e “Forgotten Love“, abriram o caminho para sua nova era. Aqui ela nos conta como esse álbum ainda sem título será uma história das experiências do mundo – e não dela.

Oi Aurora, conte-nos o que mudou desde o lançamento do seu álbum de estréia.

“Bem, minha vida mudou muito nos últimos dois anos. O mundo que explorei mudou muito. Eu vi muitas paisagens diferentes durante as turnês, e é realmente inspirador ver o quão grande é o mundo. Eu quero explorar e experimentar diferentes partes da natureza, mas eu não gosto do deserto, sinto muito pelas plantas! Ou talvez eu goste disso… te deixa com sede de olhar para ele…”

Mas você ainda está morando em casa na floresta de Bergen. Você acha que algum dia vai se mudar para algum lugar como Los Angeles?

“Não! Eu amo a minha casa, é tão quieta. Você pode andar nu em seu jardim. Ninguém se importa quem você é, porque todo mundo conhece todo mundo. Eu me sinto parte disso, apenas outro galho.”

Agora você é uma artista reconhecida fora de sua cidade natal, seus vizinhos olham para você de maneira diferente?

“Eles olham para mim do mesmo jeito, mas com um certo tipo de orgulho, tipo “você conseguiu, bom trabalho!”. É como se eu fosse a filha de todos. É muito solidário de uma forma centrada. É estranho porque agora, depois de “Queendom“, é a primeira vez que sou reconhecida nas ruas da América. Isso é muito estranho. Eu não sei se gosto disso. Eu gosto das pessoas, mas não do conceito de ser conhecida.”

O que mais influenciou o novo álbum – você estava ouvindo algum outro artista?

“Bem, eu não tenho rádio, não tenho iTunes, não tenho Spotify. Eu só tenho alguns LPs em casa e alguns CDs. Eu não gosto de ouvir música quando estou fazendo coisas diferentes, viram só barulho. Eu gosto ouvir no trem no aeroporto, porque o outro barulho é pior. Mas eu realmente gosto da Enya, e eu realmente gosto do Underworld. 1992-2012 é o único álbum que eu conheço deles, mas eu gosto, é tipo techno – você pode ir a uma festa rave. Depois eu amo Leonard Cohen. Esses são os três artistas que eu escuto. E eu só tenho as mesmas músicas.”

E as influências políticas? “Queendom” foi o primeiro single do novo álbum – o que o inspirou? Parece que pode ser um hino feminista? Ou talvez um hino gay?

“”Queendom” é para todos que não foram respeitados. Eu sou feminista porque sou mulher, é tão fácil quanto isso. Mas a homossexualidade foi uma inspiração ainda maior para a música do que o feminismo. Foi depois que visitei o Brasil e alguns lugares onde percebi que o status político em torno do amor entre pessoas do mesmo sexo era muito ruim. Eu pensei: “Ok, o mundo é péssimo, então vou escrever essa música e criar um novo mundo para nós”.
Eu sou realmente apaixonada por isso. Agora eu tenho um namorado que é muito “viril” e tem mais barba do que qualquer pessoa que eu já vi. Mas eu tinha uma namorada antes disso, com quem eu estava por um ano. Eu só gosto de aproveitar o que está lá e gosto de explorar. Apenas ame tudo ao seu redor e você está amando a si mesmo.”

Você quer que esse álbum seja “político”? Muitos de seus fãs parecem ver você como um modelo.

“Sim, mas não de um jeito preto ou branco. “Isso ou aquilo, escolha um lado.” Minha única opinião política é que tudo deve ter respeito e ser aceito pelo que é. Eu acho que as pessoas gostam de ser passivas de vez em quando, é realmente cansativo ser humano. Mas é por isso que quero envolvê-lo na minha música. Muitas vezes eu acho que é feito de maneira errada, censurando as pessoas. É como se estivéssemos sendo lembrados de todas as coisas que não fizemos. Eu quero envolver as pessoas de uma maneira agradável, de uma maneira que apele primeiro ao coração e ao corpo.”

Então, aquela influência masculina obscura que vemos em novas músicas como “Churchyard” – você não está falando sobre Trump lá?

“Não exatamente. Mas ele é um valentão. Seu negócio é ser ultrajante. Você acha que ele sabe o que está fazendo? É assustador ver uma pessoa líder como ele, como seu discurso é o oposto de tudo pelo que todos lutaram antes dele. Isso prova a rapidez com que um grande grupo de humanos pode simplesmente mudar se alguém alimenta sua raiva e medo. É muito assustador.”

Você acha que os jovens podem lutar contra pessoas como ele? Como você diz em “Queendom” – “somos todos guerreiros”, não somos?

“Sim! Nenhuma das minhas músicas é sobre mim (apenas “Lucky” e “Runaway” do primeiro álbum) ou minhas próprias experiências, mas tudo são experiências do mundo. “Churchyard” é como o conceito de alguém maior usando seu poder de maneira errada, isso acontece o tempo todo na política, com crianças, mulheres. Eu queria que as músicas parecessem poderosas – como no final de “Churchyard”, ela volta para assombrá-lo.”

Então você está certo de que sua geração ainda tem muita esperança?

“Eu acho que eles vão fazer muito. Estamos cada vez mais unidos e tudo funciona melhor quando estamos unidos. É bom ver as pessoas começarem a questionar cada vez mais as coisas, porque é tão fácil acompanhar o que já está acontecendo. Eu acho que também é perigoso porque nos comparamos muito com tudo que vemos. É importante entender o equilíbrio. Via mídia social, estamos aprendendo sobre o mundo, mas também nos mantendo longe do mundo.”

Tradução: Flávia Giuliana

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