Em entrevista publicada por Nicollas Witzel no jornal O Globo, AURORA fala sobre suas novas músicas, os fãs, e sua língua imaginária. Leia na íntegra a matéria completa publicada hoje (17/12):

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Foto: André Miranda / Agência O Globo

“RIO – O sucesso da cantora norueguesa AURORA Aksnes surpreendeu a crítica desde seu primeiro álbum, quando tinha só 19 anos. A voz firme e uma presença dançante fizeram o nome de Aurora deixar de ser um produto norueguês para se tornar fenômeno mundial. O público brasileiro foi um dos que mais abraçaram a proposta da artista: letras cheias de melancolia misturadas com a pujança da batida eletrônica. Hoje, a cidade de São Paulo é o terceiro lugar em que ela é mais ouvida no Spotify, perdendo somente para Oslo e Londres. Em 2017, AURORA foi convidada para gravar a música de abertura da novela “Deus salve o rei”, da TV Globo. Voltaria para sua apresentação no Lollapalooza 2018, e já tem retorno marcado em 2019, quando vai se apresentar em cinco estados durante a turnê de seu segundo álbum, “Infections of a different kind (Step I)”.

AURORA preencheu o estúdio do GLOBO com seu 1,60 metro de altura, ao gravar uma versão exclusiva de “Forgotten love”.

Além da dança, ela aposta em outras formas autorais de expressão, como uma linguagem imaginária que, aos poucos, vem sendo incluída nos álbuns. Os primeiros versos compostos nesse idioma estão no segundo refrão de “Forgotten love”.

Tento cantar com meu corpo todo, mãos, dedos e expressões faciais. Posso contar histórias com eles. Diz ela.

Foto: Agência O Globo

Língua própria

Os fãs imaginaram que os versos da música fossem em norueguês: “Hun går ferilisseræna féressu / Hun går férilisserana irsser”…

Comecei a construir a minha própria língua quando ainda era pequena. Era o que eu usava para falar com meus amigos imaginários. Acabei guardando isso comigo e, agora, quero incluir mais na minha música. As palavras têm um sentido, têm até um alfabeto. Vocês vão entender isso melhor no futuro. Por enquanto, é segredo.

AURORA apresentando a canção ‘Forgotten Love’ nos estúdios da Rede Globo.

AURORA veio ao Brasil semana passada para participar da Comic Con Experience 2018, onde fez parte do painel da Disney. Ela esteve na produção de “Dumbo”, live-action com direção de Tim Burton e estreia mundial prevista para março. Os fãs tiveram a chance de ouvi-la cantar a faixa “Baby mine”, da trilha original da animação original (1941), conhecida na voz de Betty Notes.

Na minha primeira tour pelo Brasil, em 2017, percebi como as pessoas se envolvem com a música. Cheguei muito cansada em Curitiba, pousamos tarde da noite. Estava pronta para dormir quando ouvi um barulho, abri a janela e havia pessoas cantando minhas músicas lá embaixo, o álbum inteiro, em coro. Foi muito especial — contou a cantora em uma entrevista à televisão norueguesa.

O sucesso com a novela impulsionou o nome de AURORA no Brasil, ao lado de seu show no Lollapalooza 2018. Ela atribui a boa recepção dos brasileiros à tentativa de encontrar conforto nos sentimentos negativos, transformando sensações ruins em dança, luz e ritmo:

Nós expressamos emoções de jeitos diferentes, mas no fundo sentimos o mesmo. Eu gosto de escrever coisas que alguém, em algum lugar, vai se sentir melhor ouvindo. As pessoas ficam muito solitárias, mesmo quando não estão sozinhas. Eu me sinto atraída por esses sentimentos que não deveríamos ter, é de onde vem a minha inspiração.


Influências

Influenciada pela suavidade de Leonard Cohen, pelo folk de Bob Dylan e pelo new age da irlandesa Enya a jovem Auroa constrói seu espaço. Nascida em 1996, na cidade de Stavanger, conheceu o piano aos 6 anos e começou a compor aos 9.

Eu pensava muito quando era criança, foi bom ter um lugar para descarregar isso. Não queria que ninguém ouvisse, era só para mim. Não acho que meus pais sabiam que eu cantava até os meus 15 anos— contou ao GLOBO. — Levou tempo até que eu mostrasse a alguém. Não queria ser artista. Minha mãe insistiu, achava que eu precisava dividir isso com as pessoas.

Foto: Agência O Globo

Pegando carona na vibe eletrônica, hoje popular nos países nórdicos, AURORA lançou seu primeiro single em 2012, seguido por outros trabalhos, até o lançamento de seu EP de estreia, “Running with the wolves” de 2015. No ano seguinte veio “All my demons greeting me as a friend”, seu primeiro álbum de estúdio, aos 19 anos. No segundo semestre de 2018, “Infections of a different kind” a consolidou como um fenômeno dentro e fora da Noruega.

Misturando a textura eletrônica com um toque grave e seus vocais agudos e emotivos, Aurora trabalha em uma cena pop atormentada, semelhante à de artistas como Lykke Li e Lorde. Ela também foi ouvida em covers como “Half the world away”, do Oasis, e “Life on Mars?”, de David Bowie, presente na trilha sonora da série “Girls” (HBO).

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